sábado, 27 de agosto de 2011

GOVERNO DO RJ ADIA FORMATURA DE NOVOS SOLDADOS POR FALTA DE FARDA

A sexta-feira passada, dia 19, deveria ter sido de felicidade para cerca de 500 alunos da primeira turma a começar o curso do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cfap) da Polícia Militar (PM) este ano. A expectativa de que a formatura acontecesse naquele dia foi frustrada pela falta de fardas. Pelo regulamento, os uniformes deveriam estar com os futuros soldados desde 31 de janeiro, primeiro dia de aula. O atraso na cerimônia de conclusão pode comprometer os planos de criar novas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), já que os recém-formados devem ocupar esses postos nas comunidades.
Os alunos chegaram a pensar em comprar as fardas.
— Eu não gastaria um centavo para comprar a farda para a formatura, pois é obrigação do Estado fornecê-la — disse um dos alunos, cuja identidade foi preservada.
A proposta foi rejeitada também pela maioria na comunidade do site de relacionamentos Orkut intitulada "PMERJ concursos CFSd".
A PM confirmou que a formatura aconteceria no dia 19, mas ainda não escolheu a nova data. A corporação também informou que as fardas não foram entregues devido a problemas na licitação para a compra das roupas. Ainda segundo a corporação, o cronograma do curso está sendo seguido.
No rígido código que regula a conduta militar, o zelo pelo uniforme é importante. Botas engraxadas e roupas passadas e arrumadas são essenciais, podendo provocar detenção em caso de não cumprimento das normas. Para contornar a falta de material, o Cfap determinou que os alunos deveriam usar calças jeans azuis e camisetas brancas, que ganharam o apelido de "bichoforme".
— O pior é que tivemos que comprar as camisas e as calças — disse outro aluno, que não quis se identificar.

Aumento da demanda
Atrasos na entrega das fardas e no pagamento dos alunos do Cfap podem ser reflexos do aumento da demanda por novos policiais, acreditam especialistas em segurança pública. Por causa do programa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), a PM espera colocar 2.500 novos policiais nas comunidades e nas ruas até o fim do ano, segundo o coronel Íbis Silva Pereira, porta-voz da corporação.
De acordo com o consultor de segurança Paulo Storani, ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM, a questão é que a administração pública não consegue agir de forma tão rápida quanto a iniciativa privada. Assim, quando há algum problema no meio do caminho, o tempo de resposta é sempre mais lento.
— Se você tem uma empresa e precisa comprar algo, faz o pagamento e pronto. No caso do governo, há todo um rito que precisa ser seguido, desde a liberação da verba até a escolha da empresa, por meio de licitação — declarou Storani.

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